segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Primeiro dado a público, nos idos de Julho de 2010

(I)

Inauguração em página aberta desta minha epístola, com nervoso miudinho. Mas o aval do director é terreno seguro, o assunto escolhido abrangente e as palavras postas em forma de letra são minhas companheiras há mais de metade da minha vida.
Estas, aqui, acompanhadas da estreia de criptónimo, nunca antes usado em coluna opinativa; ou outra qualquer, que fosse ou pudesse ter sido.
A ver quanto dura. Hoje…

… reflicto: nas palavras do Papa há pouco ido deste nosso território de Paz – “A Igreja está aberta, em colaboração com quem não marginaliza nem privatiza a essencial consideração do sentido humano da vida” – às quais acrescenta – “Não se trata de um confronto ético entre um sistema laico, mas uma questão de sentido à qual se entrega a própria liberdade. O que divide, é o valor dado à problemática do sentido e a sua implicação na vida pública”.
Atribuo a estas palavras o sentido do meu entendimento, exegese da minha hermenêutica.
Antes sempre de olhos encovados, parece vivificado desde que chegou a este cantinho à beira-mar plantado, a expressão limpa e clara. Nunca o vi sorrir tanto e durante tanto tempo. E depois, estas palavras que me falam ao ouvido, às culpas dos gananciosos, à esperança dos empobrecidos.
Parecem-me transparentes como a água que se quer privatizar, frescas como os jardins que se fecham ao cidadão comum das grandes cidades, airosas como a atmosfera por cima dos smogs dos grandes centros fabricantes dos latifundiários industriais de hoje em dia.
(há quem me diga que, aqui, o fulcro da questão é o assunto do “aborto”… Talvez, mas as palavras, depois de ditas, são mais de quem as ouve).
Hoje aceito melhor este que será o Papa desta minha segunda (ou terceira, ou até quarta) etapa da minha vida. Sê-lo-á muitos anos, com certeza, menos talvez que o anterior, mas muitos também. Até porque, de ano para ano, os meus anos tornam-se-me mais importantes para mim… se bem que menos, para os outros, na triste lei da vida.

Dias depois, revejo a visita de Sua Santidade ao Porto. Continua com a face iluminada e parece não querer deixar a multidão que acena. O seu “papamóvel” é inclusivamente aberto, parcialmente, pelo menos, para beijar um nasciturno.
De volta a território do Vaticano, envia mensagem ao bispo do Porto, onde confessa a sua boa e surpreendida impressão pela felicidade genuína que constatou nos rostos das hostes portuenses que o aclamavam.
Não foi uma mensagem de simpatia, somente, mas autêntica admiração ditosa, que, não duvidamos, o tornou ainda mais radiante nesta visita a este nosso Portugal, um dos mais belos e aprazíveis portos de abrigo do mundo.

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