sábado, 16 de março de 2013

Artigo publicado a textos espaçados, porque muito e diverso – o ser e a alteridade.. nos outros, claro, que vamos apreciando.


Porquê a Igreja Católica?
- Porque primus inter pares.

Porque nos pretende explicar o Amor e Beleza do mundo, deixando a explicação desse mundo para a ciência; porque tende guiar os homens no seu entendimento mútuo e recíproco, deixando as respectivas normas e leis para os governos das nações desses; porque entre todas as Igrejas, é aquela que melhor entende as suas funções face àquelas dos Estados, sendo a quem menos interessa a promiscuidade dos papéis; porque é a mais tolerante, logo, a mais abrangente; porque aceita crentes e não crentes; porque sempre perdoa e acolhe.

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Declaro-me exegeta. Procuro extrair, para me conduzir.
Porque pesquiso, leio, estudo; confiro, infiro, afiro; deduzo, induzo, aduzo, nesta preparação que me tem feito percorrer este caminho de curvas e contracurvas que me leva a este premente e permanente filosofar sobre a minha condição humana, onde procuro desvendar a presença do divino
Reflicto sobre as horas de observação, análise que, concluo, na sua variação ao longo do quotidiano dos dias, já se padroniza há algum tempo também nas manhãs domingueiras a coincidir com as horas misseiras. Não ousando a prática do ritual, dou comigo em atentas auscultações às sacerdotais palavras e gestos, descobrindo entre o vulgo um misto de entrega e desprendimento que me confirmam práticas imperfeitas no estar de muitos, em oposição à plenitude a que aspiro.
Difícil sempre esta última, porque o hipercriticismo que me consome não facilita; mas, outrossim, não é a dúvida, o caminho para a verdade? Eis o busílis da questão.
Percebo o dogma. Este é a necessidade para os simples, onde o temor é sinónimo de obediência por oposição ao entendimento sentido, mas por demais exigente na complexidade do conhecimento. Compreendo que nunca poderá ser igualmente alcançável por todos, nem nunca será.
Reflicto e concluo que não preciso dos lugares nem das imagens. A minha comunhão pode ser perfeita e, em caso de incerteza ou suspeita, sempre poderei pedir, caso o cansaço me abale, a intercessão do intermediário.
De alguma forma o tenho feito.

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 Nestes estudos percebi hoje algo muito mais do quanto Fátima foi longe, para além do que sabia que tinha ido. Terminei a noite em arremedo de vigília a assistir a “Fátima e o Mundo”, em gravação a aguardar a minha atenção desde a última quarta-feira.
Quero beber da fonte, percebo. O encanto em mim suscitado pela imagem original é sintomático da ânsia que sinto em sorver nesta paixão (caminho = pathos) de aprendizagem. E quanto tenho compreendido da minha incompreensão de sempre.
Hoje, crio as bases em longas horas de estudo, a fazer muita coisa parecer frívola. É grande o castelo que construo.
Nesta senda, reflicto sobre o estudo recente a partir do “Jesus de Nazaré” de Ratzinger: concluo o quanto percebo da incompreensão das gentes praticantes. Das ladainhas, dos falsos entendimentos, da filosofia transfigurada em mito.

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Depois da espera devida às constantes solicitações do padre gestor de pessoas e patrimónios, delonga sempre maior do que aquilo que gostaríamos mas aguardando em quase confessional paciência, quando finalmente saíamos, lado a lado, eis que surge, acompanhada da discreta irmã vestida ao negro da viuvez, a alegre sexagenária anelada, brincada e enfieirada a trajar marcas em estilos dos quarentas (mas não somos todos jovens, agora?...). A cabeça loira a pincel aborda o sacerdote como se mais ninguém estivesse ali. Fala alto e a gestos, com nada se importando, nem o corredor consagrado ou mesmo a proximidade da sacristia.
Fala ao padre pedindo para alguém (não pedirá para si?) como quem negoceia com governantas. Mas pior: fala de dinheiros, de doações, as que fez, as que quer fazer e ainda as que fará. Repete-o incessantemente a pontos de visivelmente incomodar o pároco, enquanto a irmã, mais doce criatura, encolhe-se no negro do vestido. Porque os cheques são, porque estão, porque ficaram; porque há outras soluções de dádiva. O interlocutor na negociação relativa à solicitação da senhora procura afastar-se, sempre agradecendo as ofertas que já foram e até as que serão. Ela insiste e volta a insistir, puxa já o quarto, quinto ou até sexto assunto, tudo encadeando como se mais ninguém existisse, nem o seu colocutor.
A conversa parece que leva todo o vento nas asas, nunca poisando em ponto final. O incómodo é já para todos notório, que a senhora não vê, só a si própria a quem gosta de ouvir. O discurso não tem pausas, só mesmo as dos cheques que ficaram no automóvel, ou com o marido. O sacerdote dá finalmente o toque necessário, diz que ”dar é fácil” – quase parecendo querer dizer que não torna necessário tanto verbo – que “basta apontar o NIB” e indica-lhe a funcionária do cartório. Mas nem isso basta, aquele palratório é um corre-corre. É preciso cortar a verborreia e lá confessa à senhora, como que em desculpa, que tem algo a fazer comigo, que estava de saída (muitos minutos atrás, lembro-me). Pouco conformada acede, não esquecendo de relembrar: - “Eu tenho dado sempre”.
Todas as ajudas são precisas. Mas há algumas que, de tão vendidas, melhor ficariam na montra da loja.
Tão fácil é esquecer as palavras de Cristo…


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