Uma reflexão prelúdica à estreia de uma leitura a começar no primeiro volume da dita. Algo a continuar depois...
(III)
(III)
“Jesus Cristo”, na interpretação do então cardeal Joseph Ratzinger, onde quis fazer a tentativa de apresentar o Jesus dos evangelhos como o “Jesus histórico” em sentido verdadeiro e próprio (…) uma figura historicamente sensata e convincente”.
Esta será sempre uma leitura feita com esforço. Porque tal como sempre me pareceu todos estes anos, a linguagem destas redacções é sempre encriptada, caindo sucessivamente no campo dogmático. No entanto, logo às primeiras páginas consigo receber algo das conclusões que, ao longo desses anos tenho, intuitivamente, conseguido retirar. No caso do texto já lido, as notórias dificuldades da igreja Católica impor o seu Cristo divínico, desde logo quando o método histórico-crítico, científico, portanto, em si mesmo não consegue construir, em oposição à teologia da fé que mais não pode do que dimensionar um arquétipo estruturado no dogma, isto é, “na força de acreditar”.
Pergunta-se: dada a preponderância que o método ganhou na mente do vulgo especialmente a partir da década de 50, tem vindo esta força a ser suficiente na explicação da figura de Jesus Cristo, em toda a sua amplitude, como suporte do pensamento cristão e, outrossim, da religião cristã?
E daqui, que ubiquidade se evidencia nesta triangulação lógica? – Razão/Fé?; a Fé da Razão?; ou a Razão da Fé?
Ficam-nos as questões, mas sem nunca esquecer, também, que ter fé é ser forte, uma vez que a dúvida, alicerce do método, restringe a energia; por isso, acreditar é poder (que o digam os desportistas em competição ou os militares em combate). Não é por acaso que a esperança é a última a morrer e os deserdados do mundo saberão sempre sorrir, crendo.
E aqui reside verdadeiramente a razão da fé, e o mistério desta última.
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